Encerraram-se nesta segunda-feira (27/07) as eleições da Previ – o maior fundo de pensão em ativos da América Latina – com a vitória da Chapa 1, capitaneada por Wagner Nascimento, atual diretor do Seeb – BH e Região e filiado à Fetrafi-MG.
O resultado – uma estrondosa vitória com mais de 60% dos votos válidos – é alvissareiro não só pelos números, mas também pela qualificação do adversário fragorosamente derrotado.

A chapa opositora – apenas duas se inscreveram – era representada por componentes que fizeram carreira no Banco do Brasil e alçaram postos na estrutura estratégica da instituição. Tratou-se, portanto, de um embate de um conjunto de concorrentes com origem na representação sindical e coletiva, envolvendo associações de diversos setores sociais e um outro conjunto com representantes de origem institucional e corporativa, defensores de todo o receituário neoliberal e repetidores da cantilena da meritocracia e outras pérolas.

Mais do que a composição da chapa derrotada, o mais importante a se salientar foi o discurso adotado por aqueles que pleiteavam assumir o controle de postos de representação dxs associadxs com apoio velado do patrocinador do fundo de pensão dxs funcionárixs do BB.

A estratégia de campanha derrotada foi a mesma que vem sendo implementada na cena política brasileira desde 2016, com a tentativa de demonização do trabalhismo, do sindicalismo e da presença dxs trabalhadorxs na representação coletiva em quaisquer esferas.

O resultado, com a superação do discurso de ódio e de esvaziamento do debate através da utilização do recurso da tentativa de desmoralização das figuras representantes do grupo político que desempenha com sucesso, reiteradamente reconhecido pelas urnas, as atividades que visam garantir o futuro de centenas de milhares de associadxs através da gestão dos recursos internalizados no Fundo por associadxs e pelo patrocinador, demonstra que o pano de fundo do cenário político pode estar mudando.

O fato de um esgarçamento da retórica odienta, da tática dos ataques rasteiros sucessivos e da falta de escrúpulos para alcançar resultados eleitorais, com a vitória grandiosa da chapa com DNA trabalhista sobre quem se valia desses recursos que pareciam ser o caminho das pedras já consolidado para o sucesso em disputas eleitorais desde o surgimento da onda antipetista em 2016, dá um alento a quem defende a democracia e quer realmente que a política volte a ser praticada em termos de uma atividade nobre e não como um exercício de falta de empatia e desejo de aniquilamento de quem defende pontos de vista divergentes.

Ao mesmo tempo, a presente vitória eleitoral nos coloca diante de um desafio magnânimo: fazer valer cada um dos mais de 60 mil votos que guindaram Wagner Nascimento ao posto de Diretor de Seguridade da Previ, assim como os demais companheiros e companheiras aos outros postos em disputa – Conselho de Deliberativo, Fiscal e Consultivo dos Planos 1 e Futuro – além de usar essa projeção política para exercer a defesa daquilo que é fundamental, na nossa visão, para a sociedade brasileira nessa seara – nomeadamente, a manutenção do BB como banco público e o respeito à democracia, com a interdição das ideias nada ortodoxas do ministro Paulo Guedes na construção do futuro da Previ.

É hora de comemorar. Precisamos aproveitar momentos como este para recarregar nossas baterias e aliviar a tensão que nos cerca em tempos de pandemia. Comemoremos! Mas amanhã começa uma nova tarefa: precisamos nos organizar e fazer a leitura do que essa vitória pode representar em termos de conjuntura, de sentimento coletivo e de perspectiva de um soerguimento da representação dxs trabalhadorxs que podem estar despertando do encanto maldito que os flautistas de Hamelin macabros da ultradireita brasileira jogaram sobre quem precisa vender sua mão de obra para sobreviver.
A esperança acaba de vencer o ódio, novamente!