Mais de 600 bancários e bancárias de todo o Brasil e das mais diversas instituições financeiras públicas e privadas do país participaram na noite desta sexta-feira (17), da abertura da 22ª Conferência Nacional dxs Bancárixs. Transmitida ao vivo pela Contraf-CUT, a solenidade contou com as presenças do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Sila; do governador do Maranhão, Flávio Dino; do professor e ex-prefeito de SP, Fernando Haddad; do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST),  Guilherme Boulos; além de lideranças bancárias nacionais e representes de centrais sindicais nacionais.

A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, iniciou os debates da noite afirmando que a Confederação representa cerca de 90% dxs bancárixs do país. Segundo ela, mais de 30 mil postos de trabalho do setor bancário foram fechados desde o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, em 2016. A dirigente nacional destacou ainda que a campanha nacional acontece em meio a uma crise sanitária e econômica sem precedentes. “A gente está em uma campanha defendendo os empregos, a democracia, a soberania, os bancos públicos. O golpe foi para atacar direitos, como a reforma trabalhista e a reforma da Previdência. A nossa força é nossa unidade”, afirmou.

O ex-presidente Lula iniciou sua fala exaltando o papel da categoria bancária e dos trabalhadores e trabalhadoras nas lutas e conquistas do Brasil. “Companheiros bancários, acho que outra vez vocês têm um papel importante na história. Não conheço nada de importante que aconteceu, de muitos anos para cá, que não tenha alguma categoria de trabalhadores envolvida. Outra vez vocês vão ter que misturar a luta política com a luta reivindicativa. Porque não é possível a gente consertar o Brasil, se a gente não consertar a política”, afirmou o ex-presidente.

Lula subiu o tom nas críticas ao presidente Jair Bolsonaro e afirmou que, mesmo em meio à profunda crise sanitária e econômica que o Brasil vive, o governo não demonstra compromisso com o povo. “Esse homem está praticando um verdadeiro genocídio nesse país. Ele trata a morte das pessoas com descaso, trata os problemas sociais com descaso. Ele quer jogar a culpa em cima de quem está pedindo para as pessoas ficarem em casa, mas eles sabem que as pessoas só podem ficar em casa se elas tiverem o que comer. Por mais que tenha medo da morte o cara quer sair para arrumar comida para os seus filhos. Esse é um problema sério que passa pela crise econômica”.

O ex-presidente ressaltou a importância da presença das mulheres na política. E elogiou a atuação da presidenta Contraf-CUT, Juvandia Moreira e da presidenta do Seeb-SP, Ivone Silva. “Aprendi muito com as falas de vocês e quero dizer que bom que o Brasil tem mulheres como vocês. Vocês duas são a demonstração de que a mulher não tem que pedir licença para entrar na política. A mulher precisa fazer política porque a política precisa da mulher”

Ao encerrar, o ex-presidente deixou um recado para a categoria bancária. “Enquanto puder, estarei junto com vocês nessa briga. Não é possível que depois do sonho que nós tivemos, de construir um Brasil onde os pobres fossem tratados com respeito, a gente chegue à situação de hoje. Hoje a fome voltou, tem muita gente dormindo na rua, tem muita criança pedindo esmola e tem muita gente sem esperança. Nós temos que vender esperança para esse povo e a esperança para o povo é mudar o governo, porque com esse não tem solução”, finalizou o ex-presidente Lula.

 

Flávio Dino

O governador do Maranhão, Flávio Dino, lembrou que começou sua vida profissional como advogado no Sindicato dos Bancários do Maranhão. “Vivi esse processo da fusão de bancos, do desemprego, da automação bancária como elemento de substituição de trabalhadores e trabalhadoras”. Dino elencou o Estado Democrático como uma questão institucional central. Para ele, a “democracia não pode ser uma abstração um conceito jurídico formal”, mas como um sentimento. “Nessa dimensão social, a pandemia do coronavírus nos trouxe essa missão: o Estado como provedor de direitos.  Ampliei os leitos públicos do nosso estado para atender gratuitamente o povo em seis vezes. O setor privado criou quantos? Os grandes hospitais ampliaram quantos leitos?”, indagou.

O governador exaltou o papel do SUS e dos bancos públicos no atendimento à população durante o processo de pandemia da Covid-19. “Durante décadas ouvimos que o SUS era gratuito, mas não funciona. Infelizmente o SUS tem grandes problemas, mas mostrou sua grandeza neste processo tão forte. Nesse sentido ratifico também que os bancos públicos estiveram e estão de portas abertas.  Essa agenda de defesa do Estado deve se materializar em propostas além do reconhecimento do SUS e dos bancos públicos”.

 

Fernando Haddad

O professor e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que estamos diante de um “mau governo que tem pretensões de solapar as bases institucionais que garantem que nós possamos lutar por direitos como a liberdade”. “Não podemos ter ilusões sobre a natureza do governo Bolsonaro. Depois da prisão do Queiroz e dos escândalos envolvendo a sua família ele parece domesticado, mas ele não se contém. A guerra do Bolsonaro é contra valores, contra a ciência, contra as artes. É também uma contra a política. A política como nós a entendemos”.

Para Haddad, o Plano Nacional de Defesa, que vazou para imprensa, dá pista do que vai acontecer. “O governo brasileiro está dizendo que nossa região não é mais pacífica. Imersa em crise e tensões. Qual é a crise e tensão militar na nossa região que envolve o Brasil pós-guerra do Paraguai? Assim como pagamos um militar para servir aos Estados Unidos meu temor é que estamos aumentando o orçamento do Ministério da Defesa para comprar uma guerra que não é nossa”, afirmou.

O ex-prefeito disse que chegou o momento que temos que ir pra rua para defender os bancos públicos. “Sem os bancos públicos o brasil não tem como se desenvolver”, disse. “Assim como temos que defender o auxílio emergencial, que Bolsonaro quer acabar e é o que minimamente está sustentando a economia, que está em frangalhos”, completou. “Precisamos aproveitar que a sociedade não está parada”, disse ao citar os movimentos da educação, que evitou o corte no orçamento, e o das torcidas organizadas, que juntou palmeirenses com corintianos, vascaínos com flamenguistas juntos na defesa da democracia e contra o fascismo.

 

Guilherme Boulos

O dirigente do MTST, Guilherme Boulos, iniciou sua participação afirmando que, se a economia brasileira cair 9%, como dizem algumas estimativas, isso irá se refletir em o dobro do número de desempregados e informais. “Vivemos uma crise de modelos e valores. A pandemia é trágica e vai deixar um rastro insuperável de mortes, de perdas e de luto. Mas o cenário da pandemia mostrou a completa falência do mercado como moderador das desigualdades sociais”.

O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo afirmou que é preciso tirar lições e aprendizados deste processo. “A pandemia mostrou muito bem o papel da Caixa Econômica Federal neste processo. O que seria do Brasil sem a Caixa Econômica e sem a Dataprev? Nós teríamos milhares de pessoas morrendo de fome no nosso país.”

Ele apontou três desafios que o campo progressista, democrático e popular tem nesse momento: “O nosso empenho em salvar vidas e defender medidas que salvem vidas. O segundo desafio é que não há salvação para o povo brasileiro com esse desgoverno, o Bolsonaro é incorrigível, o Bolsonaro é um criminoso, atenta contra a democracia brasileira. E por fim, o último desafio é o desafio de a gene pensar e colocar na mesa o debate de outro modelo de Brasil.”

A presidenta da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Estado de Minas Gerais (Fetrafi-MG) e coordenadora da COE Bradesco, Magaly Fagundes, destacou a importância dos debates e da participação dxs bancárixs de Minas Gerais na Conferência Nacional. Para ela, a união da categoria na construção das pautas de reivindicação da Campanha Nacional é fundamental para assegurar as conquistas e garantir avanços.

“As intervenções da abertura da nossa Conferência evidenciaram o papel dos trabalhadores e das trabalhadoras brasileiras na crise humanitária, sanitária, social e econômica que estamos vivendo. A categoria bancária está na frente de batalha contra o coronavírus e merece ter sua integridade física e direitos preservados. A defesa das empresas públicas, a garantia do emprego; a defesa da nossa CCT, a regulação do Teletrabalho e resistência ao governo Bolsonaro são as grandes lutas que devemos encampar para superarmos a crise”.

 

Da redação da Fetrafi-MG/CUT