Dirigentes sindicais, representantes de entidades representativas e delegadxs de todo o país participaram na noite desta sexta-feira (10) da abertura do 36º Congresso dos Empregados da Caixa Econômica Federal, do 31º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, do 26º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil e do 11º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco da Amazônia.

 

As atividades irão discutir questões específicas e gerais da categoria para serem debatidas durante a 22ª Conferência Nacional dos Bancários, que ocorrerá nos dias 17 e 18/7. A programação será transmitida ao vivo nas redes sociais da Contraf-CUT. Em decorrência da pandemia causada pelo novo coronavírus, tanto os congressos quanto a conferência nacional serão realizados por videoconferência.

 

A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, que é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, destacou que a atual crise sanitária e econômica evidencia a necessidade e a importância da defesa dos bancos públicos brasileiros.

 

“Na verdade, o Governo Bolsonaro não tem atuado para socorrer a população. Quando a pandemia chegou ao Brasil, a primeira ação foi socorrer o sistema financeiro. Mas, para garantir o auxílio emergencial para as classes mais baixas, foi preciso que as centrais sindicais e partidos de oposição fizessem pressão sobre o governo e Congresso Nacional. O governo queria dar apenas uma parcela de R$ 200 para os mais pobres”.

 

Representando a Fetrafi-MG, a presidenta do Sindicato dos Bancários de BH e Região (Seeb-BH), Eliana Brasil, ressaltou a unidade da categoria neste momento. “Vamos começar um Congresso que tem como lema “A distância não nos limita”. Esse é um momento que precisamos estar unidos contra esse governo negacionista, que ignora a ciência e que despreza o papel dos bancos públicos e a soberania nacional. Temos um inimigo muito feroz. A todo momento, além de desprezar os mortos, despreza também o trabalhador principalmente o trabalhador bancário. Como ataca os trabalhadores bancários! Estamos distantes, mas unidos!

 

Para o economista e professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo – palestrante convidado da abertura do encontro dos bancos públicos – as ações do governo brasileiro são tímidas e insuficientes. O economista ressaltou a necessidade de uma “ação enérgica, pronta e abrangente”. “Não há nenhuma possibilidade da economia brasileira se recuperar sem a atuação dos bancos públicos. Vemos isso no atual momento. O governo disponibilizou recursos para os bancos emprestarem para pequenas e médias empresas, mas os bancos privados não estão emprestando. Somente os bancos públicos estão liberando os recursos. Os bancos privados têm medo de calote e eles estão certos, porque o Estado não deu as garantias necessárias para que os bancos emprestassem. Somente os bancos públicos podem socorrer as empresas”, observou.

 

Segundo Belluzo, vivemos um momento de ruptura de cadeias econômicas e que, em situações como esta, a intervenção do Estado é fundamental para socorrer a sociedade, a economia e assegurar a renda da população. Ele enfatizou que os recursos destinados para o consumo das pessoas vão para as empresas – o que gera receita fiscal para o Estado. “O efeito líquido na economia é muito maior do que se não houver o gasto necessário para socorrer a população”.