Na era da internet 4G – já com a presença, ainda que tímida, de conexões 4.5 G – temos um fenômeno que traz para a vida real as consequências da aceleração da circulação e do aumento de volume das trocas de informação no mundo virtual.

Com isso, o próprio ciclo histórico vem se precipitando, trazendo para a atualidade fatos e novos arranjos sociais que se esperaria virem a se concretizar somente num futuro ainda remoto.

Até alguns meses atrás era consenso que a esquerda no Brasil estava em uma sinuca de bico, encantoada, sem saída, e que a possibilidade de uma nova ascensão ao poder só se daria, possivelmente, em uma próxima geração.

A prisão de nosso principal líder, sem perspectiva de uma revisão do processo judicial que culminou em seu injusto encarceramento, ainda que com fartos indícios de falhas e vícios, fazia com que essa retomada da via progressista pela sociedade brasileira se tornasse ainda mais longínqua.

Contudo, com o advento das eleições presidenciais marcadas por fake news, o início do governo Bolsonaro com uma atuação próxima à comédia pastelão, incluída aí a exposição do ex-todo poderoso Sérgio Moro, ridicularizado publicamente dia após dia, e a atuação redentora de Glenn Grenwald à frente do The Intercept Brasil e sua ‘Vaza Jato’, tivemos uma mudança de percepção da realidade tão acentuada e vertiginosa que hoje podemos enxergar uma outra perspectiva no médio prazo para o campo progressista na cena política brasileira.

Os desvarios de Bolsonaro colocando em xeque alianças estratégicas criadas durante as eleições e expondo o Brasil a vexame internacional com uma política externa entreguista e beirando a irresponsabilidade, o derretimento da autoridade moral do atual ministro da Justiça, as notícias envolvendo maus feitos da família presidencial e a exposição da motivação política assim como, por último, a revelação do ódio desumano, chegando às raias da falta de empatia, nutrido pelos procuradores da Lava Jato em relação a Lula e tod@s @s que o rodeavam, criam um novo ambiente social que permite ter esperança em uma modificação do cenário político.

Cabe-nos, como dirigentes sindicais, organizarmos nossa participação como catalisadores da expressão da vontade popular e da necessária provocação das esferas de representação dos cidadãos e das cidadãs, assim como unirmos forças junto a outros movimentos sociais para exigir a retomada do Estado Democrático de Direito, o que passa, necessária e prioritariamente, pela anulação do processo fraudulento do julgamento do Ex-Presidente Lula e reanálise, isenta e estritamente técnica, do inquérito que deu origem à denúncia do MP.

É hora de irmos às ruas e exigir que haja respeito por nossos direitos e, principalmente, por nossa cidadania!