Bancárias de diversos estados brasileiros participaram, entre os dias 9 e 12 de dezembro, em Buenos Aires (Argentina), do encontro da Rede Uni Mulheres. A atividade também reuniu mulheres do Chile, Argentina e Uruguai. O objetivo do evento foi o intercâmbio de experiências dos diversos países para montar uma pauta única a fim de fortalecer a luta na construção de avanços para as mulheres.

 

Segundo a secretária de Mulheres da Fetrafi-MG, Lara Mattos, houve trocas de experiências positivas para as trabalhadoras no movimento sindical. “Foi um momento para se falar sobre violência, direitos humanos e democracia, igualdade de direitos e inclusão das mulheres nos espaços de poder. Discutir mudanças sociais, políticas e tecnológicas e como elas afetam as mulheres que trabalham na região; fortalecer o trabalho em rede através da solidariedade entre afiliadas e trocar de experiências das trabalhadoras”.

 

Também foi debatida a aprovação, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Convenção 190 que trata da violência no mundo do trabalho. O texto aprovado é fruto de intensas discussões iniciadas em 2009 por movimentos de mulheres, na Confederação Sindical Internacional (CSI), e que vencerem a resistência dos empregadores que consideravam o tema uma questão a ser resolvida por políticas públicas. As diretrizes da Convenção só passarão a valer a partir da ratificação pelos países – após a adoção da Convenção que os tribunais passam a se pautar pela norma aprovada

 

A delegação brasileira apresentou algumas das ações realizadas para defender os direitos das mulheres bancárias. Elas relataram ainda o trabalho para a campanha #UniSororidad para manifestar e mostrar resistência contra a violência contra a mulher. O movimento acontece nas redes sociais todo dia 25 de cada mês e mostra informações e protestos sobre a realidade do gênero na sociedade.

 

O encontro, coordenado pela presidenta da UNI Américas Mulheres Alejandra Estoup, promoveu a troca de saberes e experiências sobre negociação coletiva nos diversos países. “Bancárias, comerciárias, empregadas da mídia, entretenimento e das telecomunicações falaram sobre suas experiências em mesas de negociação coletiva, especialmente sobre os avanços e os caminhos que devem ser percorridos para alcançarmos a equidade entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. Também abordaram o aumento da licença maternidade para algumas categorias e sobre acolhimento a mulheres que sofreram violência doméstica. Depois tivemos uma breve oficina sobre organização para um programa de trabalho, com Veronica Fernández-Mendez, Chefa Mundial, UNI Igualdade de Oportunidades”, afirmou Lara Mattos.

 

O segundo dia do encontro contou com a participação da deputada nacional Vanessa Siley, militante do movimento sindical das bancárias da Argentina. “Foi uma experiência muito rica, pois conseguimos vivenciar a alegria e a retomada da esperança do povo argentino com a eleição deste novo governo democrático. Sentimos ainda o medo das companheiras uruguaias com os retrocessos impostos pelo governo de direita, que assumiu recentemente, e está fazendo com que elas temam que tudo o que foi conquistado anteriormente, com os governos de esquerda, possam se perder. Além disso, houve o relato das mulheres do Chile, que contaram como foi todo o processo da crise que eclodiu no país e os planos de resistência”.

 

“Sem sombra de dúvidas, toda esta troca de informações nos ajuda e nos dá novo animo para continuarmos a lutar pelos direitos dos trabalhadores, mas principalmente pelos direitos das mulheres que são em toda parte do mundo menos valorizadas e têm seus direitos retirados”, concluiu Lara.

 

Da redação da Fetrafi-MG