No Brasil colonial ou na Europa, não era recomendado que as mulheres se arriscassem fora da esfera doméstica. Elas até poderiam ganhar a vida com o próprio trabalho, mas jamais reivindicar participação política. No entanto, já naquele tempo, havia mulheres decididas a governar as próprias vidas, a se contraporem às convenções morais e sociais e a desafiar as barreiras da participação no debate público.

É sobre sete mulheres assim que trata o livro Independência do Brasil: as mulheres que estavam lá, organizado pela escritora e roteirista Antonia Pellegrino e pela professora Heloisa Starling, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da UFMG.

No livro, sete mulheres de hoje (incluídas as organizadoras) escrevem sobre essas mulheres do passado, que desempenharam papéis decisivos na história do Brasil. São elas:

Hipólita Jacinta Teixeira de Melo (1748-1828)- Única mulher que participou ativamente da Inconfidência Mineira.
Bárbara de Alencar (1760-1832) – Exerceu um “matriarcado caboclo” no sertão cearense e “a primeira vítima de violência política de gênero no Brasil”, anotam as organizadoras.

Urânia Valério (1811-1849)- Baiana, poliglota, aos dez anos começou a publicar panfletos (mídia predominantemente masculina), com conteúdo anticolonial.

Maria Felipa de Oliveira (1799/1800 -1873)- Pescadora e mercadora negra, teve papel chave na proteção da ilha de Itaparica, na Bahia, contra ataques dos barcos portugueses.

Maria Quitéria de Jesus (1792-1853)- Disfarçou de homem para trocar a vida doméstica pela luta armada pela Independência do Brasil, combatendo no front.

Maria Leopoldina da Áustria (1797-1826)- Imperatriz que, apesar de lembrada como a mulher traída de d. Pedro I, foi exímia articuladora política e conseguiu a permanência do marido no Brasil, contraiando os mandos de Portugal, que exigia o seu retorno.

Ana Maria José Lins (1764-1839) – Convocou senhores de engenho e escravizados à luta armada, fazendo de seu engenho a última trincheira republicana de Alagoas.

O livro foi lançado no ultimo dia 3 de setembro, na Livraria Jenipapo, em Belo Horizonte.

Fonte: UFMG/Livro “As mulheres que estavam lá” , organizado por Heloisa Starling e Antonia Pellegrino

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