O assédio moral no trabalho foi tema do seminário realizado pelo Conselho Municipal de Saúde de BH, na sede do Sindicato dos Bancários de BH e Região, nesta terça-feira (13/9). As metas abusivas e a pressão por resultados foram apontadas como formas de assédio moral mais recorrentes nas agências bancárias.

No mês de campanha nacional de combate ao suicídio, o Setembro Amarelo, @s palestrantes ressaltaram o papel exercido pela violência moral no adoecimento mental e autoextermínio dos bancári@s.

Segundo dados apresentados pelo secretário da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf_CUT), Mauro Salles, os afastamentos por adoecimento mental de bancári@s superaram os gerados por condições físicas, nos últimos anos, chegando a 55% dos casos de afastamento em 2020.  

Mauro pontuou que esse adoecimento está ligado, entre outros fatores, às humilhações públicas geradas pelos rankings de desempenho, às cobranças nos horários de descanso e à cultura organizacional, que exige muito esforço para o alcance de resultados. “Quem mais se dedica é quem mais adoece. Os medicamentos viram, muitas vezes, ferramentas de trabalho para os bancários”, afirmou. Salles ainda salientou que, cada vez mais, o assédio moral tem se tornado um instrumento de gestão, que amedronta os funcionários para garantir a lucratividade dos bancos.

O psicólogo Carlos Carrusca destacou que o sistema algorítmico usado pelos bancos para definir metas desconsidera os fatores humanos e leva bancários ao limite. “Não se pode ser dono do corpo de alguém, mas se encontra nos algoritmos outros meios para que o empregado trabalhe mais. É como se a vida do bancário se tornasse um jogo de metas que resulta em mortes e adoecimento”, declarou.

Outro ponto debatido foi a dificuldade de comprovar o assédio moral e a falta de canais seguros para denunciar. A auditora fiscal  do Ministério do Trabalho, Odete Reis, ressaltou que o medo de perder o trabalho impede que muitas denúncias sejam feitas e gera um pacto de silêncio entre as testemunhas. “Você consegue comprovar um acidente físico em uma empresa, mas o assédio moral depende que as pessoas falem sobre isso,” ressalta. Odete ainda destacou que é necessário uma legislação específica para lidar com o assédio moral e que os bancos definam punições para os agressores.

A advogada do Sindicato dos Bancários de BH e Região, Suely Teixeira, destacou a importância de debater coletivamente o tema. “Cabe a nós sociedade, os sindicatos, as entidades de classe, o pessoal do SUS, da advocacia popular, se comprometer para que a gente possa ter uma situação melhor no ambiente de trabalho”, destacou.

Reportagem e fotos: Tainara Diulle

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