Segundo matéria do site Metrópoles, uma ex-funcionária da Caixa informou ao Ministério Público Federal (MPF) que o departamento jurídico da estatal sabia dos episódios de assédio sexual e moral do então presidente do banco, Pedro Guimarães. Na semana passada, o Ministério Público do Trabalho (MPTprocessou Guimarães e cobrou que o bolsonarista pague uma indenização de R$ 30,5 milhões por danos morais.

Em junho deste ano, a coluna de Rodrigo Rangel mostrou que cinco funcionárias denunciaram o então presidente da Caixa, Pedro Guimarães, por assédio moral e assédio sexual. Desde então, as investigações contra o ex-auxiliar de Bolsonaro seguem no MPF, MPT e no Tribunal de Contas da União. Guimarães nega irregularidades.

Um dia depois de buscar a Corregedoria, segundo o depoimento, a ex-funcionária foi procurada por Guimarães. O então presidente da estatal demonstrou que sabia da comunicação à Corregedoria. Em regra, relatos de funcionários para corregedorias devem ser sigilosos, para proteger as vítimas.

Essa ex-funcionária disse que o setor jurídico sabia dos episódios criminosos de assédios sexuais e morais cometidos por Guimarães, bem como diversos outros funcionários da alta hierarquia da Caixa.

(Baseada em matéria do Site Metropoles- Coluna do Guuilherme Amado)

Três meses depois do escândalo de assédio, empregad@s da Caixa cobram conclusão das apurações e responsabilização dos assediadores

Hoje, 28 de setembro, completam-se três meses que as denúncias de assédio sexual contra o ex-presidente da Caixa estouraram na imprensa. Até agora o escândalo sem precedentes levou apenas a processos disciplinares internos e nenhuma penalidade foi aplicada a Pedro Guimarães ou outro executivo envolvido.

“A Caixa, que sob a batuta da Daniella (Marques, presidenta do banco) se diz preocupada com as mulheres brasileiras, não faz andar as investigações sobre denúncias de crime de assédio sexual praticado contra as suas funcionárias”, lamentou a diretora e da Contraf-CUT e do Sindicato dos Bancários de BH e Região, Eliana Brasil. “A expectativa da categoria é geral. Todo mundo ficou muito abalado com as denúncias e cobra o resultado da apuração”, completou a dirigente que é empregada do banco.

A secretária de Políticas Sociais da Fetrafi-MG e vice-presidenta do Sintraf Juiz de Fora, Lívia Terra, acredita que, quando surgiram, as denúncias não foram nenhuma novidade para @s empregad@s da Caixa. “Os trabalhadores sabiam das histórias de assédio sexual e sofriam com o assédio moral, pois muitos foram atingidos. Com as denúncias, veio a esperança de as coisas mudarem, de vermos o assediador pagar pelos seus crimes e fim dessa violência. Mas esse alívio ainda não veio. O assédio moral continua e a pressão por cumprimento de metas abusivas também”, relata.

Além da impunidade e manutenção da cultura do assédio, Lívia, que também é empregada da Caixa, aponta a farsa apresentada pela “nova direção” do banco como se fosse uma política de apoio às mulheres. As poucas iniciativas ligadas ao combate à violência doméstica, afirma, vieram do acordo firmado pelos bancários e bancárias na mesa de Igualdade de Oportunidades, em 2020 (início da pandemia) e apresentadas como iniciativa da Caixa.

Na prática, para o recebimento geral de denúncias de violência contra a mulher, colocaram agentes sem o preparo necessário e não garantem acompanhamento psicológico como deveriam, inclusive para quem atende as vítimas – sem contar na falta de segurança d@s envolvid@s – empregados e empregadas fragilizados pelo histórico recente de assédios. “Ou seja, na atual direção da Caixa, assedia-se ainda mais os empregados, ao invés de ampará-los, e violenta-se mais uma vez mulheres vítimas de todo tipo de violência, tirando vantagens em um momento que já é de fragilidade”.

O “acolhimento” das mulheres, no “Caixa Para Elas”, destaca Lívia, nada mais é que estratégia para enfiar “goela abaixo” do público feminino produtos e crédito. “Mas, de certa forma, apesar de exaustos, adoecidos e desamparados, os empregados não estão surpresos, pois de onde nada se espera é de onde não vem nada mesmo. Não havia como esperar nada vindo desse governo (federal)”, finaliza.

Desde que as primeiras denúncias vieram à tona, bancári@s se mobilizaram em todo o país cobrando justiça às vítimas dos assédio praticado por Pedro Guimarães e acobertado pelo governo. A mobilização continua cobrando apurações e punições devidas para que estas práticas não se repitam no banco público.

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