Ato acontece em alusão ao Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes do Trabalho

No combate aos crimes da Vale e na luta por condições dignas e seguras de trabalho nas minerações, o Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalhador e da Trabalhadora de Minas Gerais, em conjunto com as Centrais Sindicais, Comissão de Trabalho, Previdência, Assistência Social da ALMG, Movimentos Populares, Famílias das Vítimas e Atingidos, entre outras organizações realizaram em Brumadinho, nesta quinta-feira (25), uma Solenidade em Memória das Vítimas de Acidentes do Trabalho Ampliado da Vale em alusão ao Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes do Trabalho (28 de abril).

A secretária de Saúde do Sindicato dos Bancários de Ipatinga e da Fetrafi-MG, Helyany Gomes de Oliveira, esteve presente ao evento e conta que em Brumadinho não aconteceu uma fatalidade e sim uma tragédia anunciada. “Foi um crime porque a Vale não tomou providências para poupar seus trabalhadores, a população e o meio ambiente. A empresa não respeitou as NRs 18 e 22, que tratam da segurança do trabalho e principalmente da atividade mineira e acabou acontecendo essa tragédia que atingiu toda a comunidade da bacia do Rio Paraopeba”.

O rompimento da barragem (Córrego do Feijão) da Vale, em 25 de janeiro, é um acidente de trabalho considerado o maior já ocorrido no país. O crime da Vale resultou na morte de 277 pessoas, entre trabalhadores e trabalhadoras diretos e indiretos e ainda membros da comunidade. Além disso 49 pessoas seguem desaparecidas. A cidade inteira foi atingida, famílias foram vitimadas, postos de trabalho foram destruídos, bem como propriedades rurais. Toda a bacia do Rio Paraopeba foi impactada, provocando sofrimento psicossocial, adoecimento de trabalhadores, trabalhadoras e da população da região.

A secretária acrescenta que “a tragédia de Mariana não serviu de lição e infelizmente muitas outras pessoas pagaram com a vida pela negligência da empresa. Ainda há inúmeras barragens ameaçando a segurança de comunidades inteiras”.
O descaso do setor mineral com as legilações de sáude, segurança do trabalho e com a segurança das barragens torna a mineração a atividade econômica que mais mata no Brasil. Além disso, a empresa tem mantido moradores de áreas próximas a barragens exilados, sob terrorismo.

“Os órgãos fiscalizadores estão sendo atacados e sucateados, assim como as leis que protegem o trabalho e o meio ambiente. Os movimentos sociais têm buscado reparação pelos danos causados a essas populações vítimas de tragédias e também reparos aos danos causados ao meio ambiente. Precisamos de leis mais rigorosas para o setor de mineração”, finaliza.

Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes do Trabalho

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu o dia 28 de abril como o Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho, em memória às vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. No Brasil, a Lei 11.121/2005 instituiu o mesmo dia como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.
Segundo dados do Programa de Prevenção de Acidentes de Trabalho da Justiça do Trabalho ainda ocorrem no Brasil mais de 700 mil acidentes do trabalho por ano e a cada dia, considerando apenas os dados oficiais, aproximadamente 55 empregados deixam definitivamente o mundo do trabalho, por morte ou incapacidade permanente.

Helyany Gomes de Oliveira – Secretária de Saúde da Fetrafi-MG