O anúncio do processo de restruturação da CAIXA, no final de janeiro, sem qualquer negociação ou diálogo com os empregados e com as entidades que os representam tem gerado dúvidas, insegurança e medo. Na semana passada a Contraf-CUT assegurou judicialmente uma liminar que suspendeu o processo de reestruturação imposta unilateralmente pelo banco. Visando mudar seu perfil, com foco nos negócios, a CAIXA vai na contramão de seu papel social. As mudanças fazem com que o banco deixe, gradualmente, de servir ao povo brasileiro e ao desenvolvimento do Brasil.

 

Segundo informações da direção do banco, a proposta inicial de reestruturação reduz o número de Superintendências (Sure) de oito para seis – as Sure passam a se chamar Superintendências Nacionais de Varejo (SUV). As superintendências regionais também serão reduzidas das atuais 84 para 54. Em Minas Gerais, já foram fechadas quatro superintendências regionais – Poços de Caldas, Montes Claros, Divinópolis e Belo Horizonte.

 

O secretário de Cultura do Sindicato dos Bancários de BH e região e vice-presidente da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal de Minas Gerais (APCEF-MG), Umberto Gil Alcon, explica que o processo de fechamento da Superintendência da BH-Norte aconteceu entre os meses de novembro e dezembro e que os funcionários foram realocados nas duas outras superintendências que existem na capital mineira.

 

“Aqui foi um pouco menos traumático porque eles foram realocados mais ou menos com as mesmas funções. Estamos aguardando ansiosamente informações sobre o remanejamento e novo processo de seleção dos colegas da reestruturação. O telefone não para. O tempo todo estamos recebendo ligações e e-mails de colegas. É uma insatisfação, uma preocupação, uma desorientação geral dos bancários”.

 

Segundo o diretor Jurídico do Sindicato dos Bancários de Divinópolis e secretário de Assuntos Jurídicos da Fetrafi-MG, Lívio Santos e Assis, o clima entre os empregados da superintendência e das agências da CAIXA é de apreensão. Em Divinópolis, cidade localizada a cerca de 120 km da capital mineira, uma superintendência com cerca de 60 funcionários será extinta. Ele explica que a apreensão não é apenas entre os funcionários da superintendência regional, mas em relação a todos os detentores de função na CAIXA, inclusive os empregados das agências.

 

“No lugar será instalada uma superintendência de varejo com apenas quatro pessoas. O restante dos empregados deverá ser realocado nas agências. Esse remanejamento gera uma apreensão muito grande, principalmente em uma cidade do interior, já que a realocação dos dentro do próprio município é difícil. Existem menos vagas dentro do município de Divinópolis do que pessoas que precisarão ser realocadas. Fatalmente alguns funcionários serão transferidos para uma localidade fora do seu domicílio. O que vai causar muito transtorno”, afirma Lívio.

 

O processo de reestruturação precariza as condições de trabalho, com mudanças bruscas nas atividades desenvolvidas, cobranças por metas abusivas, descomissionamentos sumários, cortes de postos de trabalho e transferências compulsórias. O processo também precariza o atendimento à população.

 

A secretária de políticas sociais da Fetrafi-MG e empregada da CAIXA, Lívia Terra, explica que em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, apesar da manutenção da superintendência regional já foi realizada a mudança de função de funcionários. Ela afirma que o clima é de terror. “É um clima de horror imposto entre os funcionários. Temos uma grande quantidade de assistentes regionais que não sabem se vão continuar nas suas funções. Estão todos desesperados e sem saber o que vai acontecer. Ninguém sabe se as suas funções vão continuar existindo, como serão as mudanças, quais funções continuarão existindo. Nada está claro”.

 

Apesar da continuidade da Superintendência, a proposta encaminhada pela CAIXA para a cidade de Juiz de Fora não assegura funções para todos os funcionários existentes no município. Lívia explica que todos terão que passar por um processo seletivo interno e deverão ser aceitos pela gerência. “Além de terem que manifestar interesse e serem aprovados, a seleção também prevê que funcionários de outras cidades se candidatem para a nossa localidade, o que vai diminuir ainda mais o número de vagas e funções. Estão todos assustados com a possibilidade de serem obrigados a mudar de cidade”.

 

A dirigente sindical denuncia ainda que a CAIXA está descumprindo a liminar que suspende a reestruturação e que os processos seletivos internos dos antigos gerentes regionais continuaram acontecendo normalmente na semana passada. “Eles disseram que não divulgariam os resultados. Mas a liminar é para paralisar o processo, não para impedir a divulgação dos resultados. Mesmo o pessoal que tem uma função que vai continuar existindo, não tem segurança do que vai acontecer. Vários colegas que já estão à beira de completar os 10 anos – que valeria a incorporação da função – estão com medo”.

 

A presidenta do Sindicato dos Bancários de BH e Região e representante da Fetrafi-MG na CEE dos Empregados da CAIXA, Eliana Brasil, disse que durante a última reunião com a instituição foram encaminhados mais de dois mil questionamentos de bancários de todo o país. “A CAIXA simplesmente ignorou. Mesmo após a liminar que alterou o prazo de manifestação para 15 dias, a reestruturação continuou. Estamos para que a CAIXA volte com a negociação. Há inclusive uma cláusula no nosso acordo aditivo que fala que toda movimentação de empregado deve ser negociada com a representação dos empregados e isso não está acontecendo”.

 

Por Mariana Viel, da redação da Fetrafi-MG