Caetano Ribas – CONTRAF – CUT

O segundo dia da 19ª Conferência Nacional dos bancários começou com a leitura e votação do regimento interno e, em seguida, a exposição sobre Análise de conjuntura nacional e internacional, com exposição de Vagner Freitas, Presidente da CUT Nacional; Edson Carneiro Índio, Coordenador da Intersindical; Augusto Vasconcelos, da CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – e Rafael Freire Neto, da Confederação Sindical das Américas.

O primeiro a falar foi Rafael Freire, da Confederação Sindical das Américas. Ele afirmou que, “infelizmente, nós não conseguimos criar uma grande força progressista que controlasse o mundo. E agora, estamos à beira da terceira grande onda neoliberal.” E destacou a distribuição absurda da riqueza no país. “Oito pessoas detém a riqueza de mais de 3,5 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, seis pessoas detêm uma riqueza equivalente a renda de 10 bilhões de brasileiros. E foram essas pessoas que financiaram o golpe contra a democracia”.

Augusto Vasconcelos, da CTB, explicou que vivemos a maior crise do capitalismo desde 1929, o que aprofunda a depressão. Há um grau de perversidade extrema com a população brasileira. Para o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia e representante da CTB, a única saída é a luta: “Precisamos fazer uma luta pra valer, para transformar o Brasil. Precisamos trazer setores do golpe para o nosso lado e derrotar não só o Temer, mas também o Maia. Precisamos nos unir para construir uma política soberana, de inclusão social e preservação dos direitos.” E finalizou, otimista: “O inimigo é gigante, mas não imbatível”.

O coordenador da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, falou sobre o desemprego crescente, economia exposta, juros reais nas alturas, desmonte do Estado e das políticas públicas. E ressaltou que, para os golpistas, a saída para o desemprego, a recessão e a economia estagnada sempre é a retirada de direitos da classe trabalhadora e, como sempre, quem paga a conta são as classes mais baixas da sociedade. “Precisamos da construção de forças favoráveis aos trabalhadores para que consigamos revolver os problemas. Precisamos de um programa de enfrentamento ao rentismo, ao monopólio das comunicações e a revogação das reformas, além de impedir a votação da Reforma da Previdência”.

Índio chamou os bancários e bancárias presentes à ação: “Temos a responsabilidade de sair daqui hoje com uma ideia para botar travas para que essa contratação barata e precária não prossiga”.

Vagner Freitas, Presidente da CUT Nacional, encerrou a análise da conjuntura afirmando que o problema maior é que essa grande crise afeta as pessoas. O mundo não suporta a quantidade de miseráveis que está se formando e vai parecer normal a exclusão social. “É falácia a ideia de que a proposta econômica do Temer vai resolver o problema social da alta concentração de lucro nas mãos de poucos”, concluiu.

E explicou como a força da esquerda afetou a crise. “O processo de luta das centrais sindicais e dos partidos de esquerda do Brasil nas últimas décadas trouxe uma maturidade política e uma consciência social que assustou a direita. Eles sabiam que não tinham condições de nos combater no debate e no diálogo com a sociedade e, por isso, buscaram outros métodos para comandar a sociedade.

Mas não perdeu a força e a esperança e finalizou: “Saio daqui hoje com otimismo, pois vejo que temos capacidade de enfrentar o governo golpista e a capacidade de criar projetos que inclua toda a população brasileira.”