A implementação de uma cultura de prevenção aos acidentes de trabalho é considerada por especialistas um dos pilares da segurança laboral. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu o dia 28 de abril como o Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho, em memória às vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. No Brasil, a Lei 11.121/2005 instituiu a data como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

A secretária de Saúde Fetrafi-MG, Helyany Gomes Oliveira, afirma que desde a instituição da data diversas entidades realizam ações para fomentar a cultura de segurança e de saúde no trabalho. No caso da categoria bancária, a Contraf-CUT e a Fenaban possuem uma mesa que trata especificamente do tema com objetivo de discutir a prevenção e o não adoecimento da categoria. Composto por representantes de todas as federações do país, o Coletivo Nacional de Saúde promove debates ampliados.

Diante da pandemia do Covid-19, o Coletivo Nacional sugere, enquanto ainda não é disponibilizada a estratégia de testes em massa, o reembolso de testes rápidos para quem conseguir fazer; o custeio ou a garantia, via Plano de Saúde, de consulta psicológica diante dos efeitos da Pandemia; a medição diária da temperatura na entrada do trabalho dos bancários.

“A Contraf-CUT  prioriza o tema de saúde do trabalhador bancário e junto com o Coletivo Nacional de Saúde já editou vários artigos, cartilhas e seminários. Podemos afirmar que a categoria bancária está trabalhando extremamente adoecida em virtude de cobranças excessivas de metas inatingíveis, assédio moral e sexual e ameaças de demissão. Tudo isso tem causado adoecimento mental em um número elevado de bancários e bancárias – que se afastam do trabalho com quadros depressivos graves ou, ainda pior, continuam trabalhando adoecidos com atestados guardados em gavetas”, pontua.

A aprovação da Reforma Trabalhista, em 2017, e as recentes edições de medidas provisórias pelo governo Bolsonaro – sob a falácia da desburocratização e da geração de empregos – têm gerado uma série de perdas de direitos e impactado diretamente na saúde dos trabalhadores. A edição da MP 905 deixou de considerar acidente de trabalho o acidente ocorrido no trajeto para o trabalho ou para a residência do trabalhador. Apesar de ter sido revogada no último dia 20, o governo Bolsonaro já anunciou que prepara uma “reedição” da MP.

Dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho apontam que, de 2012 a 2018, o Brasil registrou 16.455 mortes e 4.5 milhões acidentes. No mesmo período, gastos da Previdência com Benefícios Acidentários corresponderam a R$79 bilhões, e foram perdidos 351.7 milhões dias de trabalho com afastamentos previdenciários e acidentários.

 

Pandemia

Em tempos de pandemia, a imediata reação do movimento sindical foi decisiva para a preservação da saúde da categoria bancária. Apenas um dia após a decretação do status de pandemia da Covid-19, pela Organização Mundial de Saúde, o Comando Nacional dos Bancários encaminhou ofício para a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) com as primeiras reivindicações da categoria.

 

A presidenta da Fetrafi-MG e integrante do Comando Nacional do Bancários, Magaly Fagundes, afirma que a categoria tem exercido um papel fundamental para a manutenção de serviços essenciais durante a pandemia. Segundo ela, mesmo trabalhando em regime home office cerca de 230 mil bancários e bancárias de todo país continuam sofrendo pressão para o cumprimento de metas inalcançáveis.

“A pressão sobre os trabalhadores continua. São os resultados falando mais alto do que a vida das pessoas. O Comando tem mantido constante negociação com a Fenaban para assegurar a segurança na prevenção do coronavírus, Sabemos da importância do setor bancário para milhões de brasileiros. Mas também temos convicção de que cada vida importa”, ressalta dirigente.