A luta pela defesa da democracia no Brasil ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (24), depois que os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmaram sentença contra Lula. Milhares de pessoas saíram às ruas do Brasil para protestar. Em São Paulo, o ato reuniu mais de 50 mil pessoas, na Praça da República.

Perseguido há mais de 30 anos pela direita conservadora e por setores reacionários da imprensa e do judiciário, Luiz Inácio Lula da Silva se tornou, mais uma vez, o símbolo da luta do povo brasileiro pelo direito de escolher no voto o presidente que quer para o Brasil.
Mistura de indignação pela injusta decisão política proferida pelos juízes do TRF-4 e a disposição para a luta pela retomada da democracia no País e pelo direito de Lula ser candidato eram os sentimentos comuns estampados no semblante de cada homem e cada mulher que tentava achar um espaço para ouvir o ex-presidente Lula no meio da multidão que ocupava a praça.“Não quero que fiquem preocupados com o Lula. Quero que fiquem preocupados com os 210 milhões de brasileiros, sobretudo os trabalhadores que vivem de salário nesse País”, disse o ex-presidente, emocionando todos os presentes.
“Eles podem prender o Lula, mas não podem prender um sonho de liberdade, não podem prender as ideias, não podem prender a esperança”, completou, enfatizando que a ideia representada pela figura de Lula já está colocada na cabeça da sociedade brasileira.
“Eu não quero disputar com eles pela caneta deles, quero disputar com eles a consciência do povo brasileiro”, disse Lula, desafiando os três juízes do TRF-4 que ratificaram a sentença de Moro que condenou Lula, a provarem que ele é culpado.

Se o triplex é meu, ocupem já!
“Já avisei o pessoal do Instituto: se dizem que o triplex é meu, ocupem já”, ironizou o ex-presidente, cansado de reafirmar que o apartamento no Guarujá não é seu, mas da construtora OAS, como comprovaram seus advogados e a decisão da juíza Luciana Correa Tôrres de Oliveira, da 2ª Vara de Execução e Títulos do Distrito Federal, que determinou a penhora do apartamento para garantir o pagamento de uma dívida da OAS – verdadeira proprietária – junto aos credores.
Lula afirmou que a única coisa que ele não aceita é a mentira em que os desembargadores do TRF-4 se basearam para tomar a decisão nesta quarta-feira. “Eu quero é que peçam desculpas pela quantidade de mentiras que contaram sobre mim nos últimos quatro anos”, exigiu.
“Parem de achar que Lula tem de ser condenado. Precisam se preocupar com a consciência de cada brasileiro que começa a ser transformada”, completou, num claro recado aos setores do judiciário que insistem em persegui-lo na intenção de interferir no processo eleitoral deste ano.
Para Lula, que não se surpreendeu com o resultado do julgamento, foi feito um pacto entre judiciário e imprensa para destruir o PT. “Não suportavam mais a ascensão social que fizemos no Brasil, não suportavam mais a inclusão escolar, o crédito aos produtores rurais. Era muita gente com carro na rua e, para eles, pobre só merece andar de ônibus”, disse o ex-presidente, levando o público ao delírio.
O povo, emocionado e a postos para sair da Praça da República e caminhar sentido à Av. Paulista, vibrou quando Lula mandou um recado à elite brasileira que deu um golpe de Estado no Brasil: “nós vamos voltar. Esperem, nós vamos voltar. E vamos mostrar mais uma vez que o povo pobre não é problema, é solução.”
“Enquanto esse coração velho bater e essa cabeça funcionar, a luta vai continuar”, finalizou.
Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, quem foi julgado hoje no Brasil foi a justiça brasileira e não Lula. “Eles rasgaram a Constituição de 1988 e impuseram a ditadura da toga. E, de maneira irresponsável, colocaram o Brasil num cenário de convulsão social”, disse.
Segundo Vagner, Lula continua sendo o candidato da classe trabalhadora independentemente do julgamento. “Vamos derrubar essa decisão nas ruas e seguir lutando pelos direitos, pela democracia e por eleições efetivamente limpas, com Lula candidato. Não sairemos das ruas.”

Escrito por: Tatiana Melim