O sociólogo e Cientista Político Emir Sader encerrou o segundo dia da Conferência dos Trabalhadores com uma exposição sobre a Crise Brasileira Atual.

Ele fez uma análise sobre a crise e as perspectivas de mudanças. “São três anos de crise, já temos a crise da crise”, disse e complementou dizendo que antes do governo Lula “foram dez anos de bordoadas e derrotas. Lula recebeu uma herança pesadíssima, o enfraquecimento do Estado, a desindustrialização e um vazio econômico. E ainda uma esquerda minoritária”.

Emir ressaltou, no entanto, que o governo Lula foi fundamental na história do Brasil, priorizando sempre as lutas sociais. “Lula era a imagem positiva do Brasil no mundo, a imagem contra a fome e a desigualdade. Hoje a imagem no exterior é a corrupção”.

O sociólogo fez também uma análise do governo Dilma. “Dilma ganhou a eleição por pouco e quando veio a votação do golpe as pessoas tinham se esquecido que a vida delas tinha melhorado, não tinham consciência de porquê a melhora”. Mas analisou que, mesmo com a crise econômica no segundo mandato de Dilma Rousseff, ainda havia avanços sociais.

E Emir faz um mea culpa: “Se não fossem os erros do governo da Dilma, o golpe não teria sido possível. Mas um erro também é nosso, do movimento popular. Como deixamos ser eleito um congresso tão reacionário como esse? Nós não elegemos nossos representantes parlamentares”. E o pior é que eles conseguiram mudar a opinião geral da população. Nós fomos pilhados sobre a corrupção e ficamos na defensiva. Temos que repensar as raízes disso, desse erro”, encerrou.

Posteriormente , com a chegada de Temer ao poder através do golpe, quem passou a governar  realmente o Brasil são os bancos, disse Emir. “Saudades do Lula, de quando tinham empregos e um tempo em que o salário mínimo teve 70% de aumento”

Mas Emir Sader ressaltou que o processo ainda está aberto e é necessário que a população reconheça os avanços dos governos anteriores e o retrocesso atual. “A hora é de disputa, temos que reelaborar uma estratégia democrática para o país. Temos que romper o isolamento e voltar. E isso passa por uma nova transição democrática e pela ascensão de jovens, mulheres e negros”, afirmou.

Após a explanação seguiu-se um debate. Helberth Ávila, diretor de Comunicação da Fetrafi, falou que “Não podemos esmorecer e achar que não temos mais pelo que lutar. Se a Reforma trabalhista passar no dia seguinte estaremos lá para tentar reverter essa situação.”

Finalmente, delegados e delegadas da Conferência Estadual formaram grupos para debater propostas e estratégias da categoria bancária de Minas Gerais. O evento termina nesse domingo (09 de julho).