Bancárias e bancários do Bradesco de Minas Gerais realizaram seu Encontro Estadual na tarde desta quarta-feira, 28. O evento online foi organizado pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Minas Gerais (Fetrafi-MG) com o objetivo de debater desafios e reivindicações dos funcionários, além de pensar em estratégias de mobilização.

Magaly Fagundes, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) Bradesco e presidenta da Fetrafi-MG, também destacou a conjuntura política nacional desfavorável para as trabalhadoras e os trabalhadores.
“O que vimos nos últimos anos foi uma escalada de ataques aos direitos dos trabalhadores e precarização do trabalho. Precisamos, mais do que nunca, nos organizar e nos unir para reverter esse cenário e barrar novos retrocessos”

No início do Encontro, os trabalhadores analisaram o balanço do Bradesco que foi apresentado por Gustavo Cavarzan, técnico do Dieese. No primeiro trimestre de 2021, o banco aumentou seu lucro em 73,6% na comparação com 2020, fruto de redução nas provisões para devedores duvidosos (PDD) e cortes nas despesas administrativas e de pessoal. Mesmo com lucro de R$ 6,5 bilhões no 1º trimestre de 2021, o banco fechou 8.547 postos de trabalho em 12 meses. Outro número que chama atenção é o de fechamento de agências: foram quase 1.100 fechadas ou transformadas em unidades de negócios entre março de 2020 e março de 2021.

“Diante da nova formatação das empresas financeiras do país, o resultado do banco está sendo construído pela redução do emprego bancário e pela ampliação de estruturas alternativas, tocadas por trabalhadores que não são representados pelos sindicatos e não têm os mesmos direitos”, ressaltou Gustavo.

Teletrabalho e saúde

A secretária de Saúde da Fetrafi-MG, Heliany Gomes, apresentou apontamentos sobre o teletrabalho e suas consequências para a saúde de bancárias e bancários. Pesquisas estão sendo realizadas para analisar a situação após mais de um ano de pandemia, inclusive sobre as sequelas deixadas pela Covid-19.

Apesar de a vigilância dos sindicatos ter garantido a manutenção dos direitos, problemas como a inadequação dos ambientes, a dificuldade para organizar rotinas e o adoecimento mental e físico merecem atenção nas negociações, assim como o retorno seguro ao trabalho presencial. Além disso, bancários que estão em casa por serem de grupos de risco, mas não realizam home office, se encontram em situação de incerteza e medo sobre seu emprego.

Para Geraldo Rodrigues, funcionário do Bradesco e diretor do Sindicato, que representa a Fetrafi-MG na mesa com o banco, também está claro que as despesas administrativas caíram muito com as pessoas em home office ou rodízio. “Já os custos para os bancários em casa aumentaram. Temos que utilizar os resultados das pesquisas com a categoria para levar nossas reivindicações ao Bradesco e cobrar garantias para os trabalhadores”, destacou.

Minuta específica

Delegadas e delegados também debateram a pauta específica de reivindicações. Entre os pontos, estão mais contratações, fim do assédio moral e das metas abusivas, Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), plano de saúde e odontológico, reajuste da ajuda-combustível, segurança e previdência complementar.

“Levaremos, ao Encontro Nacional dos Funcionários, as propostas de Minas Gerais para que sejam apreciadas por todos e possamos construir uma pauta única com todos os temas de interesse da categoria”, explicou Giovanni Alexandrino, funcionário do Bradesco e diretor do Sindicato.

Fonte: Seeb-BH