A bancária e representante sindical do Itaú pela CUT-Minas, Juscélia Oliveira Pereira de Sant’Anna, foi demitida arbitrariamente no último dia 18 de outubro. Ela trabalhava há pouco mais de dois anos na agência 7414, no bairro Céu Azul. A demissão desrespeita a estabilidade pelo mandato sindical e descumpre a atual legislação.

Concursada do Bemge e reintegrada pelo Itaú através de uma tutela de urgência, a sindicalista foi vítima da política deliberada do banco por perseguição a representantes sindicais e aos ‘indesejados’ reintegrados que perderam sua aposentadoria. “Reintegrados são tratados de forma discriminatória. Muitos nem chegam a ser de fato reintegrados e são demitidos”, denuncia.

A representante sindical relata que a justificativa utilizada para a demissão teria sido o seu desempenho ruim. Explica que durante o período utilizado para a avalição só trabalhou efetivamente três meses e a avaliadora não trabalhava na agência durante o período avaliativo. Os outros nove meses ela estava lotada em uma unidade de suporte operacional ou de licença se recuperando dos efeitos da contaminação pela Covid-19.

“Desempenhei tudo que era pedido, fui prestativa com todos os colegas e clientes. Sempre me pautei pela ética profissional e institucional. Todos sabiam que eu os representava na CUT- Minas. Sou uma representante sindical, mas também uma funcionária que cumpria os protocolos e orientações da empresa”, afirma.

Ao ser informada da demissão, Juscélia alertou que estava acontecendo um engano, já que tem direito à estabilidade sindical. Ela se negou a assinar a demissão. O Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região (Seeb-BH) tentou reverter administrativamente a demissão, mas o Itaú não aceitou e manteve a prática antissindical.

Em moção de repúdio aprovada durante a 16ª Plenária Estatutária Nacional da CUT, a central sindical afirma que o banco usou a demissão para perseguir a dirigente. A CUT-Minas também exigiu a “reintegração imediata da companheira ao seu posto de trabalho, por entender que a lei precisa ser respeitada por todos, inclusive pelo banco Itaú”.

O presidente da CUT-Minas, Jairo Nogueira Filho, afirmou que a direção estadual está programando um ato político sindical em defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras bancárias a ser realizado na região da agência 7414, no bairro Céu Azul. Ainda segundo ele, a manifestação objetiva denunciar a demissão injustificada da bancária Juscélia. “Estávamos na esperança de reverter a situação, mas infelizmente o Itaú não recuou da decisão. A demissão da Juscélia é claramente uma perseguição em função da atuação sindical dela. Estamos em contato com o Sindicato dos Bancários de BH e agora vamos também tomar as medidas jurídicas para assegurar o direito dela”.

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Da redação da Fetrafi-MG