Privatizações colocam em risco a autonomia, empregos e recursos do país

Estamos acompanhando pelos meios de comunicação a retomada da política neoliberal com a apresentação do pacote de privatizações de 57 empresas anunciado no dia 23 de agosto. A proposta de privatizações do atual governo pode superar a gestão de Fernando Henrique (1995-2003), em que foi criado o Conselho Nacional de Desestatização que acelerou bastante os processos de venda de estatais. Só no primeiro mandato de FHC, foram privatizadas mais de oitenta empresas, como a Vale do Rio Doce. A venda de empresas foi uma tentativa do Governo, assim como agora propõe Temer, de conter o agravamento da dívida pública.

Os movimentos sindicais e sociais já se mobilizam para alertar a sociedade dos riscos da efetivação desse pacote. Além de significar a venda do patrimônio do país, a desestatização implica na redução dos empregos e na intensificação da exploração dos recursos naturais para o enriquecimento de empresas privadas, na maioria, estrangeiras. Em outras palavras, privatizar é vender a riqueza do país, assim como Temer e seus aliados querem fazer com a Amazônia.

Os sindicatos dos bancários em todo o Brasil trabalham desde 2016 na Campanha em Defesa dos bancos e das empresas estatais. Coordenada pela empregada da Caixa Econômica Federal (CEF) e representante dos empregados no conselho de administração do banco, Rita Serrano, a ação visa conscientizar para a importância dos bancos públicos por onde perpassam políticas sociais que contemplam a maioria da população.

Diante das ameaças da política de desmonte, no último mês a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa, a Contraf-CUT e a FENAE intensificaram suas ações com atos e publicação de uma Carta Aberta à População. A empregada da Caixa e Diretora de Bancos Públicos do SINTRAF JF, Lívia Terra, ressalta: “As empresas públicas não têm como objetivo primeiro o lucro. Vendê-las é entregar serviços essenciais nas mãos da iniciativa privada. A Caixa está sendo fatiada, exemplo disso é a privatização da Lotex, de onde vem recursos para as políticas públicas de esporte e educação. O FGTS, que financia programas de habitação e saneamento básico, é o benefício que mais tem sofrido ataques com a flexibilização das legislações trabalhistas. Os interesses dos bancos privados estão por trás dessa política de desmontes.”

Ela acredita ser essencial o apoio e envolvimento da população nessa luta. A diretora afirma que a carta tem essa função, fazer com que as pessoas entendam o papel da empresa na sociedade e para o desenvolvimento do país. A mudança de foco dos bancos públicos com Temer fica explícita no novo slogan das publicidades do Banco do Brasil. Antes financiador de programas de incentivo à agricultura familiar, agora “o Banco do Agronegócio”, fazendo coro com a Rede Globo, para quem “Agro é top”. Lívia recorda o histórico de luta dos empregados da Caixa e diz que eles não poderiam deixar de combater as atrocidades do atual governo com o povo brasileiro.

Outras empresas também estão na mira da privatização como a Petrobrás, Eletrobrás, e em Minas Gerais a CEMIG, o que representa aumento da conta de luz dos mineiros que já é a mais cara do país. Campanhas de conscientização como a dos empregados da CEF estão espalhadas por todo o território brasileiro, em defesa do desenvolvimento do Brasil, dos brasileiros e da democracia.

Fonte: Sindicatos dos Bancários de Juiz de Fora