Em um discurso emocionado e apoiado por um auditório completamente lotado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, nessa quarta-feira (21), em Belo Horizonte, sua pré-candidatura à presidência do Brasil, nas eleições de outubro.

“O problema não é só o Lula, é que tem milhões de Lulas”, sentenciou o ex-presidente, se referindo ao apoio que tem do povo brasileiro.

Interrompido várias vezes por aplausos, cantos e brados de apoio, Lula lembrou seus feitos nos oito anos de mandato, falou sobre a perseguição que sofre da elite, da Justiça e de parte da mídia mas, principalmente, ressaltou sua afinidade com o povo: “Eu não tenho diploma universitário, mas eu tenho o diploma de conhecer a alma de cada mulher e cada homem desse país”.

Inocência
Mais uma vez, o ex-presidente Lula defendeu sua inocência das acusações da 8ª Turma do Tribunal Federal da 4ª Região (TRF4), de Porto Alegre, que confirmou, em julgamento realizado no dia 24 de janeiro, a condenação de Lula na ação penal que envolve o tríplex do Guarujá. “Eu não respeito a decisão que foi tomada contra mim porque eu sei que ela é mentirosa, é política e não está baseada nos autos do processo. “Aos meus algozes, prendam a minha carne, mas as minhas ideias continuarão livres.”

Lula finalizou seu discurso afirmando: “Eu vou voltar pra garantir ao povo o direito de ter o melhor, trabalhar, estudar, ter acesso a cultura, comer, viajar de avião, comprar carro, televisão, vender o jegue e comprar uma moto. E ter a certeza que seu filho vai crescer num pais mais humanizado e socialmente bem mais justo”.
O evento foi endossado pelo PT e partidos aliados que integram o manifesto “Unidade para Reconstruir o Brasil”, integrado pelo PSB, PDT, PT, PC do B e PSOL.

Presidente da CUT convoca companheiros a manter estado de alerta

O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, fez questão de ressaltar que falava não só em nome da CUT, mas também da Frente Brasil Popular. “O golpe trouxe uma união inédita da esquerda no Brasil”.

Wagner falou sobre a derrota da votação da Reforma da Previdência e que o governo não conseguiu o que queria, que era entregar a presidência para os bancos, para fazer a previdência privada. “Mas temos que continuar em alerta, em estado de greve, porque os golpistas podem voltar a votar o tema a qualquer momento. Está fora da pauta, mas eles não têm palavra e a qualquer momento podem colocar ao acaso, 23h30, meia noite. Mas temos também que comemorar: nós derrotamos os golpistas”, conclui.

Intervenção militar – o Brasil precisa é de política de geração de emprego e renda, educação, saúde, disse o presidente da CUT. “O que combate a violência é a inclusão social. Temer quer fazer com que o debate da segurança seja o centro do debate político, mas o debate político é a reconstrução da economia brasileira. O Brasil precisa de eleição, de Fora Temer e não de intervenção militar”.

Lula presidente – “Temos que lutar e garantir o direito do ex-presidente Lula ser candidato, porque ele é inocente, foi julgado e culpabilizado, para ser impedido de ser candidato a presidente. Eleição sem Lula é fraude. Com a volta de Lula, vamos retomar o processo de desenvolvimento, acabar com o estado de exceção que existe hoje, voltar à democracia e voltar a dar ao povo brasileiro a chance de ser feliz”, finalizou o presidente da CUT.
No evento no Expominas também foi comemorado os 38 anos do PT.

Visita aos Sem Terra e Colônia Santa Isabel

Pela manhã, o ex-presidente e comitiva visitaram o acampamento Maria da Conceição, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, em Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Na ocupação, onde vivem 700 famílias, Lula foi recebido por cerca de duas mil pessoas. Ele foi carregado por moradores, entrou em várias casas, conversou e tirou fotos com agricultores, que se solidarizaram com o ex-presidente, defenderam a democracia e seu direito à candidatura à Presidência da República em 2018, em ato público no local.

Lula voltou a dizer que a perseguição contra ele se deve ao medo das elites de que ele volte a governar o país. “Querem que o pobre seja apenas um dado estatístico para cientista político trabalhar em pesquisa”, afirmou aos trabalhadores sem-terra.

Do acampamento, Lula seguiu para visitar a colônia de portadores de hanseníase em Betim, onde foi homenageado pela por integrantes do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e por beneficiários da Lei 11.520, que determinou a indenização das pessoas isoladas durante décadas pela política de segregação compulsória da hanseníase que perdurou no país até a década de 1980.

Durante a visita, no Cine Teatro Glória, Lula falou sobre a importância de se detectar a doença assim que os primeiros sintomas aparecerem e incitou os governantes e a população a trabalharem pelas pessoas atingidas por hanseníase.

Presidenta da Fetrafi-MG, Magaly Fagundes, com o ex-presidente Lula

Fonte: Fetrafi-MG
Fotos: Alessandro Carvalho