Nós delegadas e delegados do V Fórum Nacional Pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro, em Defesa da Fundação Cultural Palmares e na Luta contra o Racismo, repudiamos as declarações públicas do Sr Sérgio Camargo, recém nomeado para a presidência da Fundação Cultural Palmares estão em total desacordo com os objetivos estabelecidos na lei federal que a criou. Portanto, além dos graves equívocos, é também de conteúdo profundamente ilegal.

O Brasil é signatário das declarações oriundas da Conferência Internacional de Durban, contra o racismo que dispõe:

““Reconhecemos que a escravidão e o tráfico escravo, incluindo o tráfico de escravos transatlântico, foram tragédias terríveis na história da humanidade, não apenas por sua barbárie abominável, mas também em termos de sua magnitude, natureza de organização e, especialmente, pela negação da essência das vítimas; ainda reconhecemos que a escravidão e o tráfico escravo são crimes contra a humanidade e assim devem sempre ser considerados, especialmente o tráfico de escravos transatlântico, estando entre as maiores manifestações e fontes de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata; e que os Africanos e afrodescendentes, Asiáticos e povos de origem asiática, bem como os povos indígenas foram e continuam a ser vítimas destes atos e de suas conseqüências;” .

A Fundação Palmares, é uma instituição do Estado brasileiro e não um biombo para servir a interesses contrários aos objetivos para os quais ela foi criada. Neste sentido, expressamos nossa preocupação com o fato de que, além do racismo estar ganhando terreno no Brasil, as formas e manifestações contemporâneas do racismo, da intolerância e do fascismo, estão se empenhando para recuperar o reconhecimento político, moral e, até mesmo, legal das mais variadas maneiras, inclusive, por meio de plataformas de partidos políticos e organizações que tem disseminado o ódio, a violência e a negação dos direitos mais elementares do nosso povo.

Portanto, se houver um lampejo de honra e dignidade nesse senhor que tem ideário completamente oposto a razão da existência da Fundação Cultural Palmares, que ele se exonere, por total incompatibilidade com os objetivos da Fundação.

Concluímos com uma fala de Tomás Sankara, líder Africano:
“um escravo que não é capaz de assumir sua revolta não merece nossa piedade; esse escravo responderá sozinho por seu infortúnio, se forma ilusões sobre a condescendência suspeita de um mestre que finge emancipá-lo. Só a luta liberta”.

Belo Horizonte, 29 de novembro de 2019