Um dia após o jornal Folha de S.Paulo ter divulgado o plano do Santander de demitir de cerca de 20% do quadro de funcionários, o banco negou o corte. A matéria publicada na última terça-feira (9) pela Folha ouviu executivos da instituição financeira e representantes de entidades sindicais da categoria. Segundo o texto, as demissões alcançariam quase 9.500 funcionários, dos 47 mil trabalhadores e trabalhadoras do banco, em plena pandemia da Covid-19.

O representante da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Wagner dos Santos, explica que, contrariando o  compromisso com o Comando Nacional dos Bancários de que não haveria demissões durante a pandemia, o banco tem realizado, desde a semana passada, a dispensa de funcionários nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santos e Bahia. “Por enquanto não é possível mensurar as demissões, mas a COE já se reuniu hoje para definir uma reação imediata. Estamos organizando ações em defesa do emprego de todos os bancários e todas as bancárias do Santander”.

Em nota, o banco admitiu que ‘iniciou um processo de reavaliação do nível de produtividade de suas equipes’. “É um absurdo que o Santander promova uma avaliação, que em outras palavras significa a cobrança de metas em plena pandemia e em meio a um cenário de retração da economia. Essa atitude penaliza os trabalhadores. Não vamos admitir que os funcionários paguem as contas da crise”, afirmou Wagner. Ele explica ainda que a base de trabalhadores e trabalhadoras do Santander em Belo Horizonte e região é composta por cerca de 1600 bancários e bancárias. O corte de cerca de 20% do quadro de funcionários impactaria diretamente a vida de mais de 300 pessoas.

O dirigente sindical alerta que o corte de cerca de 20% do quadro poderia configurar um cenário de demissão em massa com forte impacto ao grupo de trabalhadores e trabalhadoras, suas famílias e até mesmo na economia local. “A imagem do Santander está cada vez mais desgastada. O banco tem adotado 100% da cartilha do governo federal e isso evidencia uma postura de ataques aos direitos de seus funcionários. Não podemos confiar no que o Santander fala. Não vamos assistir parados o banco atacar os direitos dos trabalhadores”, finalizou.