O segundo debate do dia foi sobre a conjuntura política, com exposições do deputado estadual André Quintão e da presidenta da CUT- MG, Beatriz Cerqueira.

O deputado fez um breve retorno histórico para explicar o que estamos vivendo no momento. “Pós-constituição de 88 há uma luta para a criação do estado de bem estar social, mas quem vence a eleição na época representava uma corrente contrária e, com isso, temos um sistema atrasado de implantação dessa constituição”, diz.

André Quintão explica que só com a vitória de Lula, em 2002, há uma regra de inclusão social, um processo redistributivo. A partir daí, nascem os programas já conhecidos, como Bolsa Família, Minha casa minha vida e tantos outros, em que os bancos públicos foram fundamentais. Nessa fase o Brasil se torna protagonista na América do Sul, Latina e diante do BRICS (Brasil, Rússia, Índia e China e África do Sul.

“Mas agora, após o golpe, os desmembramentos são perversos, começando com o congelamento da saúde e da educação e se estendendo a todo tipo de cortes em setores essenciais. Ainda não estávamos no ideal da justiça social, mas tínhamos caminhado uma longa estrada, agora estamos num momento de retrocesso muito grande”, afirma.

“O momento é de impasse, mas também de luta. Temos que resistir aos retrocessos e colocar nossa agenda, conectada com uma leitura da realidade para que se possa fazer diferente e melhor. Temos que combater intolerância, seja racial, homofóbica, machista ou religiosa. Esta agenda passa também por derrubar a emenda que congela investimentos, alterar a reforma trabalhista, realizar uma verdadeira reforma política, a reforma tributária, as reformas urbana e agrária”, afirmou.

Beatriz Cerqueira abre sua fala dizendo que, além do diagnóstico da conjuntura, acredita que agora é preciso focar em “O que fazer? Como vamos nos rearticular para enfrentar os múltiplos ataques?

A presidenta da CUT falou do golpe e disse que as mesmas ações e palavras de ordem de antes não serão mais suficientes e que o que for feito agora vai definir as gerações futuras. Beatriz cita a elite, que é escravocrata, e diz que as eleições de 2018 são a única oportunidade.

Beatriz é taxativa ao dizer que a luta e as ações são de longo prazo, não terão solução rápida. “Temos que nos reorganizar. É preciso luta organizada, e luta é feita com força própria, eles querem nos massacrar e eliminar enquanto organização, enquanto representatividade”.

“Temos que entender que nossa luta é de longo prazo e não cabe em apenas uma campanha salarial. Sozinhos seremos derrotados e, por isso, precisamos nos reunir em frentes para que possamos fazer uma luta de classe junto a outros grupos sociais. A disputa de narrativa na sociedade é fundamental neste momento de crise, que também apresenta oportunidades. Além disso, temos que eleger um presidente comprometido com nossas causas e disputar o parlamento para dar sustentação a um governo verdadeiramente popular”, afirmou Beatriz.

Ela diz ainda que as eleições desse ano serão estratégicas, de oportunidade. “Temos que manter o presidente Lula candidato até o fim e vamos disputar o parlamento, vamos mudar esse perfil dos parlamentares, precisamos ter bancada de classe trabalhadora.”

Veja aqui os destaques da fala da presidenta da CUT, Beatriz Cerqueira:
https://youtu.be/bn0YyB9q1w8

Conferência Estadual

A 20ª Conferência Estadual prossegue até amanhã, 27 de maio, com vários painéis e debates sobre a conjuntura e o trabalho bancário. Também serão aprovadas propostas que serão levadas à Conferência Nacional dos Bancários, que será realizada entre os dias 8 e 10 de junho, em São Paulo.

Fotos: Alessandro Carvalho