O Ramo Financeiro e as Reformas foi o primeiro tema debatido na parte da tarde da Conferência Estadual. Bárbara Vasquez, assessora técnica do Dieese, foi enfática ao dizer que apesar do “momento ser duro e complexo, uma reversão neocolonial, não pode ser de desespero”.

Ela afirmou que são 504 mil bancários hoje no Brasil (último dado), mas mais de um milhão trabalham nos bancos, isto é, há cerca de 500 mil trabalhadores sem representação. Bárbara explicou sobre o Banco digital, propagandeado como solução, mas que vai substituir os trabalhadores, com as ondas de inovação bancária. “E já estamos na quinta onda. Mais de nove mil postos já foram fechados esse ano. O auge da terceirização são os correspondentes bancários e meios digitais. As agências bancárias estão cada vez mais reduzidas, mas as operações mais complexas (como grandes financiamentos) continuam sendo feitas nas agências, diz”.

Em seguida, ela destacou uma série de artigos precarizantes da Reforma Trabalhista que mais afetam os bancários, com a desconstituição dos direitos e dos sindicatos. Entre eles: Jornada de Trabalho (artigo 59) – Banco de horas por acordo tácito, sem assinatura do Sindicato; teletrabalho (artigo 75) – sem controle de jornada; Comissão de empregados (artigo 510) – altera a legislação e inverte a compreensão do mundo do trabalho; Negociação individual (artigo 444); terceirização – banco não pode ser processado; Conceito de grupos econômicos (artigo 2), dano extrapatrimonial (artigo 223), que inviabiliza o sindicalismo.

E, apesar do momento grave, Bárbara finalizou com a esperança positiva que nos ensina Guimarães Rosa: “Porque eu só preciso de pés livres, de mãos dadas e de olhos bem abertos.”.

Maximiliano Garcez (Mestre em Direito das Relações Sociais pela UFPR) falou da descrença no judiciário após 23 anos advogando e fez uma explanação histórica sobre a ascensão do neoliberalismo, citando o filósofo Gramsci: “O velho mundo agoniza, o novo mundo tarda a surgir e, nesse claro-escuro, irrompem os monstros.”

E são muitos os monstros: a derrubada do Direito do Trabalho como conquista histórica e o estado de exceção em que vivemos; o golpe contra a classe trabalhadora, como a PEC e a terceirização já em curso, e agora a Reforma Trabalhista, que rompem com o pacto mínimo de dignidade do trabalhador e ainda o terrorismo de Estado – que silencia a população – com bomba sendo jogada de avião e incitação à violência de forma explícita.

Maximiliano encerrou dizendo: “o momento é angustiante, mas eu tenho esperança e acredito que a reação só pode ser por aí, “conquistando corações e mentes” da juventude e da população e investindo no movimento sindical”.