O primeiro palestrante da 20ª Conferência Estadual do Bancários, na manhã de sábado, foi o professor e economista Marcio Pochmann, Presidente da Fundação Perseu Abramo, que falou sobre o novo movimento sindical.

O economista falou sobre o papel do movimento sindical nas novas relações de trabalho e apontou a necessidade de reinvenção da atuação e organização. “Essa realidade aliada a outros fatores exige que o sindicato se reinvente. O que temos foi importante até aqui, mas não será o suficiente para o futuro”.

Em sua exposição, Pochmann falou que as sociedades são determinadas pelo tipo de economia e infraestrutura que a compõe. E quando há mudança nesse sistema produtivo, muda também a estrutura de classe, os contratos, as regras de convivência.

“Se olharmos o Brasil hoje ele é muito diferente de há 30 anos, quando o movimento sindical se refez. Hoje temos um país fundamentalmente apoiado nos serviços e isso é muito diferente do Brasil industrial. A estrutura de classes no Brasil hoje mudou. Há a desconstrução de uma classe assalariada para uma classe de serviços”, disse.

Pochmann destacou que é preciso reagir à realidade que estamos vivendo. “Estamos sob ataque e nosso papel é resistir, nos organizar e nos contrapor. Estamos vivendo uma mudança de período, não dando continuidade a outro. Precisamos perceber isso para evitar fazermos mais do mesmo”.

E para resumir a necessidade de mudanças urgentes e profundas, citou Einstein: “Difícil imaginar resultados diferentes fazendo a mesma coisa”.

“A análise de conjuntura tem que pensar que a sociedade mudou e nós também temos que mudar”, declarou. E citou as igrejas neopentecostais como modelo que aglutina e tem estratégia. “Formam juízes e criam políticos. Isso é uma estratégia de dominação. Sindicatos também podem fazer formação. O modelo atual está falido, temos que fazer um novo”.

O economista ressaltou ainda que as pessoas não buscam um diagnóstico dos problemas, mas uma solução.

“Diante de uma classe trabalhadora precarizada, o que podemos fazer? Estamos em um impasse histórico sem saída tradicional. A eleição de 2018 é fundamental e provavelmente a mais importante da história recente do país, que definirá se iremos fortalecer a democracia ou o autoritarismo. Mas sozinha, ela não resolverá tudo. Demos passos importantes nos anos 2000, mas estamos retrocedendo muito rapidamente. Esse impasse exige reflexão para além do cotidiano e da análise de conjuntura”.

E finalizou falando da necessidade de mudança. “Estamos retroagindo muito rapidamente e isso exige uma reflexão muito grande.Não é uma sociedade com mudanças, mas uma outra sociedade”.

Fotos: Alessandro Carvalho