Sindicalistas cutistas mineiros participaram nesta terça-feira (21), na capital mineira, de um debate de conjuntura inserido na programação da plenária de sindical que contou com as presenças do presidente Nacional da CUT, Sérgio Nobre; do vice-presidente da entidade Wagner Freitas e do presidente da CUT-MG, Jairo Nogueira. Também compuseram a mesa de debates a coordenadora nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Sônia Mara Maranhão e a secretária-geral da CUT-MG, Lourdes Aparecida de Jesus.

 

A tragédia de Brumadinho, considerada um dos maiores acidentes ambientais do mundo, que deixou 259 pessoas mortas e 11 e desaparecidas, foi um dos temas em debate dessa terça-feira. Segundo a coordenadora nacional do MAB, quase um ano após o desmoronamento centenas de moradores da cidade ainda estão “mendigando ajuda emergencial para possibilitar a sobrevivência”. Segundo ela, situação parecida também vivem os atingidos pelo desastre de Mariana. Passados mais de quatro do rompimento, nenhuma moradia do devastado subdistrito de Bento Rodrigues foi reconstruída.

 

Sônia afirmou que a base da região de Brumadinho votou em Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018. Mesmo assim, não existe qualquer estratégia em âmbito nacional para tratamento e apoio dos atingidos. O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva é um dos convidados para participar, no próximo dia 24, do Seminário Internacional, em Betim, que reunirá representantes de 15 países e que integra a programação do resgate de um ano da tragédia de Brumadinho. Já o presidente Jair Bolsonaro e o governador Romeu Zema devem visitar a região no dia 25.

 

Ela disse ainda que atualmente há uma forte resistência para que os atingidos sejam sujeitos no processo de reconstrução e que a empresa Vale tenta impedir a participação dos mesmos. Também há uma grande luta para não permitir que as buscas pelos restos mortais das 11 vítimas que permanecem desaparecidas não cessem.

 

A coordenadora nacional do MAB denunciou que atualmente cerca de oito barragens no estado estão em grande risco de rompimento. Entre elas estão as minas de Barão de Cocais, Itatiaiuçu (risco iminente), Congonhas e Macacos. “As empresas não se importam com a possibilidade do rompimento das barragens. A Vale sabia do alto risco de rompimento da barragem do Córrego do Feijão”.

 

Para Wagner Freitas vivemos um momento difícil mundialmente com reflexos no cenário político e econômico brasileiro. Ele afirmou que a vida piorou para os pobres, no mundo. “A política atual exclui entre 70% a 80% das pessoas. A política econômica atual não comporta pessoas”, disse.

 

O dirigente nacional reforçou que o governo Bolsonaro não cairá facilmente. Ele explicou que o governo está se sustentando na ideia de que a economia vai bem e que seu grande componente de sustentação é Paulo Guedes e sua política econômica ultraliberal.

 

“A maioria conquistada no parlamento através de uma política fisiológica (toma lá, dá cá) aprova todas as proposições de reforma, que não passavam anteriormente. A burguesia está adorando. A desigualdade está explodindo” disse.

A resistência dos setores progressistas nacionais está ancorada na figura do ex-presidente Lula – que está viajando por vários estados brasileiros para “levantar o moral da tropa”.  Wagner afirmou ainda que Lula deverá retornar em breve a Minas para visitar a nova sede da CUT, inaugurada em dezembro do ano passado.

 

O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, ressaltou que este é um ano decisivo para o governo de Jair Bolsonaro. Segundo ele, a imagem pessoal do presidente vem se deteriorando. “Bolsonaro é um personagem que não pode ser desfeito e causa instabilidade”. Ele ironizou que a ausência do presidente no 50º Fórum Econômico Mundial em Davos deve fazer que com o que Brasil se saia melhor. Segundo ele, internacionalmente, os Estados Unidos buscam ampliar sua influência com o objetivo de retomar a hegemonia na América do Sul

 

Sergio Nobre lembrou ainda o forte apoio de setores da direita ao governo Bolsonaro em virtude de sua agenda econômica ultraliberal. Tais setores têm ainda buscado viabilizar um novo nome para 2022, como o ministro Sérgio Moro e o apresentador global Luciano Huck.

 

No campo econômico, o dirigente nacional afirmou que a tentativa de golpe contra o ex-presidente Lula, em 2005, falhou porque a economia brasileira ia bem. Ele disse que, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o Brasil precisaria alcançar um crescimento anual de 5% nos próximos quatro anos para retomar o patamar de 2015.

 

“O mercado está se lixando para a democracia, desde que não haja convulsão social”. E afirmou que governo Bolsonaro é fascista. “A implantação do projeto fascista de forma completa leva tempo. Hitler não começou seu governo de horror na Alemanha cometendo todas as barbaridades que veio a cometer depois”.

 

Para Nobre, um dos principais desafios do momento é ´”fazer com que a classe trabalhadora entenda que o projeto do empresariado não é o nosso”. Nesse sentindo, as “eleições municipais deste ano são fundamentais para dar o norte do que será 2022”.

 

Da redação da Fetrafi-MG