A Fetrafi-MG reuniu nesta quinta-feira (1º/7) especialistas, dirigentes sindicais e bancárias e bancários de todo o país para discutir as sequelas físicas e mentais da pandemia da Covid-19 na saúde das trabalhadoras e dos trabalhadores, em especial da categoria bancária.

 

A secretária de Saúde da Fetrafi-MG, Helyany Gomes Oliveira, iniciou o webnário alertando que, para muitas pessoas, o fim da fase aguda da doença significa apenas o início de uma longa batalha contra as sequelas da doença que podem perdurar por muitos meses.

 

De acordo com Mauro Salles, secretário de Saúde da Contraf-CUT, algumas sequelas da Covid podem gerar até demissões. Ele citou o caso documentado de um bancário que perdeu dinheiro no caixa porque teve perda da memória recente pós-covid. O dirigente sindical afirmou ainda que a Contraf-CUT irá lançar, nos próximos dias, uma pesquisa on-line sobre as sequelas do coronavírus na categoria bancária.

 

“Esse registro é fundamental para que possamos cobrar no futuro direitos previdenciários e trabalhistas. O sucesso das nossas negociações e mobilizações, inclusive no que se refere à incorporação da categoria bancária na prioridade do Plano Nacional de Imunização (PNI), se deve ao fato de buscarmos informações e termos elementos reais em mãos. Precisamos que toda a categoria responda à pesquisa para que tenhamos elementos para protegê-la”.

 

A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, lamentou a morte de três companheiros membros do Comando Nacional dos Bancários, o que significa quase 10% do total de dirigentes que participam do comando. Ela lembrou o sofrimento extremo que milhares de famílias brasileiras têm sido submetidas pela total irresponsabilidade do governo federal que optou por propagandear o uso de tratamentos precoce e defendeu a imunidade coletiva (medidas comprovadamente ineficazes no combate à pandemia) ao invés de comprar vacinas e incentivar o isolamento físico.

 

“Sabemos que essa situação poderia ter sido evitada se o governo tivesse realmente se comprometido com a ciência e com a vida das pessoas. Isso é criminoso. É a dor de muita gente e de muita família que foi dizimada pelo país afora”.

 

A presidenta da Fetrafi-MG, Magaly Fagundes, reforçou as críticas ao governo Bolsonaro e falou da necessidade de ampliação e divulgação do conhecimento acumulado sobre as sequelas da covid-19. “É impressionante pensar que ainda existem pessoas que ainda acreditam na cloroquina. Temos um governo sem responsabilidade com a vida e sem um programa de orientação para a população. E vemos que, infelizmente, um governante que tem esse tipo de postura e ainda tem seguidores”. A dirigente sindical, que integra o Comando Nacional dos Bancários, falou ainda da importância de ampliar o debate de uma assistência maior para as bancárias e os bancários que estão trabalhando nas agências e vivem a sensação de abandono.

 

A doutora Clarissa Lin Yasuda, médica e professora assistente de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP), apresentou dados da pesquisa Sequelas Físicas e Mentais da Covid-19 – realizada por um grupo multidisciplinar de especialistas. O estudo apresenta múltiplas queixas e sintomas relatados por pacientes. Entre os sintomas relatados estão a fadiga, a depressão, a ansiedade e a redução da capacidade de ter prazer, até com pequenas coisas da vida.

 

“Mesmo depois de seis meses muitas pessoas não tinham conseguido voltar a sua capacidade de trabalho. Precisamos estar atentos a toda uma geração de pessoas com sequelas que vai reduzir a capacidade geral de trabalho das pessoas”.

 

A psicóloga do Sindicato dos Bancários da Zona da Mata e Sul de Minas Taciara Oliveira Scarton, tratou sobre as sequelas psicológicas provocadas pelo medo e pelo isolamento social.  Ela falou da diferença do isolamento físico e social e ressaltou a importância de, mesmo em tempos de pandemia, da utilização das tecnologias para manter laços e relações sociais.

 

“Vivemos um momento adverso que traz uma série de reações do nosso corpo e na forma que vemos o nosso trabalho. É uma mistura de emoções e sentimentos como o medo, a ansiedade, e o isolamento físico e social. O ser humano tem a necessidade de pertencer a um grupo e uma família através da interação social. E esses vínculos tendem a amenizar as dores psicológicas”.

 

Taciara também apresentou um estudo realizado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com 2,6 mil pessoas de todo o país. Segundo ela, o processo de saúde e de doença também é um processo social. O trabalho está na centralidade da nossa vida e produz efeitos na nossa identidade. Também delimita aspectos objetivos da nossa vida como a alimentação, o sono e o lazer – gerando tanto a sensação de bem estar e de sofrimento.

 

“Sabemos que a categoria bancária registra um elevado nível de sofrimento psíquico. Entre as situações geradoras e mantenedoras de sofrimento no bancário estão as metas abusivas, as cobranças excessivas, o medo de demissões e contaminação no ambiente de trabalho – caracterizados por espaços fechados, pequenos e sem circulação de ar”.

 

Soma-se a o risco de contrair a doença, o temor de levar a doença para casa e contaminar algum familiar, o aumento do trabalho pela redução do quadro de funcionários e até as mudanças de horários de funcionamento das agências. Já em relação às trabalhadoras e aos trabalhadores que estão em regime de teletrabalho e a inexistência de uma divisão entre o trabalho e o espaço da casa e a incorporação de novas demandas domésticas ao trabalho.

 

“Devemos pensar em como tratar e o que fazer para cuidar um pouco mais da nossa saúde. Fazer pequenas pausas entre reuniões e atendimentos; tentar fazer mais atividades físicas, respeitando as normas de segurança; repensar a nossa rotina; buscar fazer atividades prazerosas; manter contato com as pessoas significativas e, se necessário procurar auxílio profissional”.

 

Da redação da Fetrafi-MG